Quando Sofia descobriu que estava grávida, não permitiu a si mesma ficar feliz muito cedo. Após vários anos de decepções, ela havia aprendido a só acreditar em um milagre quando ele realmente fosse tangível. Então, ela seguiu sua vida, tentando afastar os pensamentos sombrios.
Mas, logo, começaram a acontecer coisas estranhas – e o primeiro a notar isso não foi um ser humano. Foi o cavalo.
Um velho garanhão castanho chamado Argus morava há muitos anos com eles no quintal. Ele era calmo, quase preguiçoso, raramente reagia de forma intensa a qualquer coisa e sempre se comportava da mesma maneira.
Até o momento em que Sofia começou a sair para o campo com a barriga levemente arredondada.
Na primeira vez, ela não deu muita atenção a isso. Argus apenas se aproximou um pouco mais do que o normal, baixou a cabeça e quase tocou sua barriga com o focinho.
— Ei… o que há com você? — ela disse baixinho, dando um passo para trás.
O cavalo não se moveu. Ficou parado, como se estivesse ouvindo atentamente.
No dia seguinte, tudo se repetiu.
Com cuidado, ele a tocou com os lábios, resfolegou suavemente e às vezes passava o focinho sobre o tecido, como se quisesse sentir algo.
Sofia ficou inquieta. Aquilo não parecia mais apenas uma demonstração de afeto. Parecia… estranho.
Alguns dias depois, ela foi até o cavalo sozinha. Argus se aproximou dela de forma incomum, e, de repente, ele se ergueu sobre as patas traseiras e colocou as patas dianteiras sobre os ombros dela.
A mulher gritou, assustada. Seu coração batia tão rápido que ela quase perdeu o equilíbrio.
Foi nesse momento que seu marido Daniel apareceu e afastou o cavalo.
— O que está acontecendo com ele? — perguntou ele, com a voz áspera.
Mas não houve resposta. Um veterinário examinou Argus e declarou com certeza que o animal estava perfeitamente saudável. O cavalo estava em plena forma.
Argus ficava nervoso sempre que Sofia se aproximava, e reagia de maneira especialmente agressiva com Daniel. Ele podia, de repente, puxar a cabeça para trás, dar coices ou resfolegar de forma tão forte, como se estivesse sentindo uma ameaça.
Sofia se pegava, com mais frequência, pensando que tinha medo de se aproximar dele. E, no entanto, algo profundo dentro dela dizia que o cavalo não queria lhe fazer mal.
Esse pensamento não a deixava.
Ela começou a ler em fóruns, histórias e artigos sobre animais que reagiam de maneira estranha durante as gravidezes. E quanto mais ela lia, mais gelado seu coração ficava.
Na vigésima terceira semana, as dores começaram. Primeiro fracas, mas, a cada dia, mais intensas. Uma noite, elas se tornaram tão fortes que Sofia não conseguia mais se levantar do sofá.
— Daniel… precisamos ir ao hospital. Agora.
No hospital, ela foi imediatamente encaminhada para o ultrassom. Sofia estava deitada, segurando firme a borda da maca, enquanto o médico passava o transdutor sobre sua barriga. No começo, tudo parecia normal. Então, o médico ficou em silêncio. Ele olhou fixamente para a tela por tempo demais.
— Tem algo errado? — ela perguntou, baixinho.
O médico não respondeu de imediato. Respirou fundo e finalmente disse:
— Eu preciso chamar a polícia.
— Por quê, o que aconteceu?
O que o médico mostrou na tela fez todos congelarem. A continuação dessa história pode ser encontrada no primeiro comentário.
— Eu preciso chamar mais especialistas.
Poucos minutos depois, dois outros médicos entraram na sala. Eles trocaram olhares, falaram baixinho entre si e, finalmente, um deles se voltou para Sofia.
Daniel se tendeu imediatamente.
— Que erro?
— Foi administrado um medicamento hormonal a você, — continuou o médico. — Porém, de acordo com os dados, uma dosagem incorreta foi utilizada. Isso afetou o desenvolvimento dos órgãos internos da criança. Estamos vendo sinais de uma possível deformação do intestino e pressão no diafragma.
Sofia prendeu a respiração.
— É possível… corrigir isso?
O médico acenou com a cabeça, mas seu olhar permaneceu sério.
— Precisamos agir rápido. Existe a possibilidade de realizar um procedimento no útero e corrigir o problema. Se tivessem chegado mais tarde, as consequências poderiam ser irreversíveis.
Sua insistência. Seu comportamento estranho. Como ele sempre tocava sua barriga. Como se sentisse que algo não estava certo ali.
A operação foi realizada no dia seguinte.
Quando tudo acabou, o médico sorriu levemente e disse:
— Conseguimos a tempo, — disse ele. — Seu filho ficará bem.
Sofia começou a chorar.
Alguns dias depois, de volta à sua casa, ela foi novamente até o quintal. Argus estava no cercado. Não se moveu até ela se aproximar. Desta vez, ele apenas tocou suavemente sua mão e não mostrou mais interesse em sua barriga. Como se tivesse entendido que o perigo havia passado.
