O milionário instalou câmeras escondidas para monitorar a babá – mas poucos dias depois uma gravação o deixou congelado

A villa de Alexej Nikolski ficava nos arredores da cidade, cercada por portões de ferro forjado, um jardim bem cuidado e sistemas de segurança que custavam mais do que alguns apartamentos no centro.
Mas tudo isso não lhe dava paz.

Ele sabia: o maior perigo não vem de fora – mas de dentro.

O império de negócios de Alexej era enorme. Ele possuía uma empresa de tecnologia, cujo valor de mercado já havia ultrapassado a marca de duzentos milhões de dólares. As pessoas o chamavam de um homem que conquistou tudo. Mas por trás desse sucesso havia anos cheios de traições – parceiros de negócios que roubavam ideias, amigos que se tornavam inimigos e… babás que, um dia, em sua casa, deixaram não apenas caos, mas também rastros de mentiras.

Desde então, Alexej não confiava mais em ninguém.

Quando uma nova empregada doméstica apareceu – uma jovem chamada Irina – ele viu isso como uma necessidade, não como uma prova de confiança.
Seu filho de quatro anos, Artjom, precisava de cuidados. O menino frequentemente estava doente, e após a morte de sua mãe, Alexej mal estava em casa – reuniões, viagens, negociações.

Irina causava boa impressão: modesta, educada, com voz suave e olhar calmo.
Mas exatamente esses olhos eram os que Alexej mais temia.

No mesmo dia, ele chamou um especialista em segurança.
— As câmeras devem ser invisíveis, — disse ele. — Mas eu quero ver tudo. Em todos os cômodos. Até onde ela dorme.
— Até no quarto das crianças?
— Principalmente no quarto das crianças.

No dia seguinte, surgiram pela casa inteira – da cozinha ao corredor – pequenos “olhos” que observavam tudo 24 horas por dia.
Ele começou até a se acalmar.

— Talvez eu tenha me tornado excessivamente desconfiado, — pensou ele, enquanto olhava seu rosto tranquilo. — Talvez ainda existam pessoas honestas.

Uma semana se passou. As câmeras não mostravam nada de incomum. Alexej passou a assistir às gravações cada vez menos – e finalmente parou de vez.
Ela conquistou minha confiança, decidiu ele.

Naquele dia, ele chegou em casa mais cedo que o habitual.
Alguns compromissos haviam sido cancelados, e Alexej queria surpreender seu filho.

A porta se abriu silenciosamente, e na sala de estar ele viu Irina. Ela estava sentada no chão ao lado de Artjom, ajudando-o a construir uma torre de blocos.
— Olá, Artjom, — sorriu Alexej. — Vejam só, vocês estão trabalhando duro!
O menino correu para o pai. A babá se levantou e abaixou o olhar.
— Acabamos de almoçar, Alexej Sergejewitsch. Está tudo bem.

Ele assentiu, subiu para o quarto e deitou-se, agradavelmente exausto, na cama.
O celular piscou: “Sistema de vigilância – novo evento”.

Na tela: luz da manhã.
Irina está sentada à mesa lendo um livro. A criança não aparece. Horário – 9:15.
Naquele momento, Artjom deveria estar tomando café da manhã. Mas ela não o alimenta.

Ele avançou a gravação.
11:40 – o menino está na poltrona assistindo desenho animado. Irina está em outro cômodo.
13:10 – a criança adormece diretamente no chão.

Alexej franziu a testa.

Mas pior ainda estava por vir.

Na gravação, Irina entra no quarto. Olha ao redor. Vai até a cômoda.
Abre uma gaveta. Pega uma caixa de veludo.
Dentro – relógios, anéis, abotoaduras. Ela os observa, os recoloca. Depois abre a gaveta novamente – e coloca os objetos em outra gaveta.

Três dias seguidos – sempre o mesmo.
Cuidadosamente, metodicamente, como se estivesse preparando algo.
Alexej sentiu um arrepio frio percorrer suas costas.

Aí está. De novo.

Ele reproduziu o próximo vídeo.
No quarto das crianças, vê-se Irina falando baixinho com alguém que está fora da imagem.
— Amanhã, — sussurrou ela. — Amanhã estará tudo pronto.

Cinco minutos depois, Alexej já estava diante da porta dela.

— Irina, — chamou ele. — Pode vir, por favor?

Ela saiu, confusa, com uma toalha na mão.
— Sim, Alexej Sergejewitsch?
— Venha, por favor, para a sala de estar.

— O que é isso? — perguntou ele calmamente.
— Eu… eu só queria… — ela parou. — Eu estava procurando produtos de limpeza. Eu…
— No quarto? Em uma caixa de joias? — Alexej sorriu friamente. — E para quem você disse: “Amanhã estará tudo pronto”?

A mulher permaneceu em silêncio. Então disse baixinho:
— Não é o que você pensa.
— E o que eu penso? Que você queria me roubar?
— Não, — sussurrou ela. — Eu queria avisá-lo.

— Avisar? Sobre o quê?
— Sobre você mesmo.

Alexej franziu a testa.
— O que isso quer dizer?

— Você está sendo observado, — disse ela, olhando diretamente em seus olhos. — Não é só você que observa. As câmeras que você instalou… nem todas pertencem a você.

Ele se endireitou abruptamente.
— O quê?

— Nesta casa há outras câmeras. Eu as descobri enquanto limpava. No banheiro, no quarto das crianças, no seu quarto. Primeiro pensei que fosse sua paranoia. Mas depois percebi – os sinais não vão apenas para seu celular. Alguém mais também está conectado.
Irina foi até a parede e removeu uma cobertura decorativa. Atrás – uma pequena câmera com luz vermelha.
— Esta não é sua, — disse ela. — Está conectada a outra rede Wi-Fi.

Ele pegou o celular apressadamente e verificou as conexões.
De fato – um dispositivo desconhecido, ativo há dias.

— Quem instalou isso? — perguntou ele.
— Eu não sei. Mas alguém está observando você do mesmo jeito que você me observou.

No dia seguinte, Alexej chamou o serviço de segurança.
Eles encontraram mais três dispositivos – minúsculos, profissionais.
Nenhum dos técnicos que ele já havia contratado conhecia essa instalação.

Alguém sabia de tudo – sobre ele, sobre a criança, sobre sua casa.


Ela sorriu levemente.
— Não importa. Agora você entende: às vezes, quem observa se torna o alvo.

Tarde da noite, Alexej estava sentado em seu quarto. Seu celular estava ao lado. Todas as câmeras haviam sido removidas, o sinal bloqueado.
Pela primeira vez, ele se sentiu livre.

Mas de repente, a tela piscou.

“Novo dispositivo conectado à rede.”

Ele ergueu o olhar.

Na parede oposta, no espelho, um pequeno ponto vermelho começou a brilhar lentamente.

 

Atyew