A enfermeira já ouvia várias noites seguidas sons estranhos do quarto número 7. Eram gritos. Não altos – mais abafados, contidos, como se alguém tivesse medo de ser ouvido. Sempre mais ou menos à mesma hora – no fim da tarde, quando os corredores ficavam vazios e a luz diminuía.
Ela parou com o balde no meio do corredor e escutou. O hospital já era assustador, mas aquele gemido cortava os nervos como faca. Não era um gemido comum de dor.
A enfermeira trabalhava ali há muito tempo. O trabalho era duro, o salário baixo, mas ela resistia. Ela estava acostumada com os cheiros, os turnos noturnos e a dor alheia. Mas o quarto número sete começou a deixá-la cada vez mais preocupada.
Lá estava uma paciente idosa – calma, organizada, sempre grata por qualquer ajuda. Uma fratura no quadril, repouso na cama. Quase não reclamava, mas olhava cada vez mais para o chão e se encolhia com barulhos repentinos.
E então apareceu um visitante estranho.
Um homem chegava à noite. Sempre sozinho. Bem vestido, confiante, falava calmamente e educadamente. Apresentou-se como parente.
Após suas visitas, a paciente idosa mudava: os olhos ficavam vermelhos, os lábios tremiam, as mãos ficavam frias. Uma vez a enfermeira até notou um hematoma no pulso.
Ela tentou descobrir mais detalhes, mas a paciente imediatamente desviava o olhar e sussurrava que estava tudo bem.
“Não é da sua conta. Se é parente, ele tem esse direito,” diziam eles.
Mas o gemido voltava sempre.
Numa noite, a enfermeira ouviu passos diante do quarto. Então vozes abafadas. Ele falou de forma dura, a paciente idosa murmurou algo, como para se justificar. Um golpe surdo. Um grito curto.
Naquela noite, a enfermeira não conseguiu dormir.
Ela elaborou um plano para descobrir a verdade. Se ninguém olhasse – ela olharia.
Na próxima vez, entrou cedo no quarto. A luz estava fraca, a paciente dormia. A enfermeira rastejou pelo chão e se enfiou debaixo da cama. Poeira, chão frio de linóleo, molas enferrujadas acima dela. Ela se sentia terrivelmente inquieta.
Passos no corredor. A porta rangeu. Ele entrou.
E então aconteceu algo que lhe tirou o fôlego.
Primeiro, ele falou calmamente. Muito calmamente. Explicou à paciente que a casa já estava “perdida”, que para ele sozinho não adiantaria nada, que ela precisava assinar papéis. Ele disse que, se ela não concordasse voluntariamente, ele “ajudaria”.
A paciente chorou, pediu para ser deixada em paz. Disse que não assinaria nada.
Então sua voz mudou.
Ele se inclinou sobre a cama e começou a ameaçar. Disse que ela precisava tomar seus remédios, que sabia como fazer para que os médicos não percebessem, e que, se ela fosse teimosa, ficaria pior. Muito pior.
A enfermeira prendeu a respiração.
Ela viu quando ele pegou uma seringa. Não era medicação hospitalar. Outra, escura, sem identificação. Ele aplicou, apesar da resistência da paciente. A idosa gritou, sua mão caiu sem força sobre o lençol.
Ela saltou do esconderijo, gritou, abriu a porta. Barulho surgiu, enfermeiras e o médico de plantão correram. O homem foi detido no local. A seringa foi apreendida. Na sua bolsa, encontraram documentos – já preparados, com campos para assinatura.
Mais tarde descobriu-se que as injeções não continham remédios. Justamente por isso, a condição da paciente idosa piorou dramaticamente.
