Lena estava quase a chegar ao aeroporto quando se apercebeu que se tinha esquecido da mala no hotel.
Uma pequena bege — uma necessaire, alguns documentos, dinheiro. Nada de particularmente importante, mas entre as coisas estava um envelope — uma carta da sua falecida mãe, que trazia sempre consigo.
“Vamos voltar”, disse ela ao taxista. “Preciso de voltar.”
Vinte minutos depois, ela voltou ao átrio. A recepcionista pareceu surpreendida, mas não a incomodou — sabia o número e simplesmente tinha subido as escadas.
O corredor estava silencioso. O seu quarto era o 214.
A porta estava entreaberta.
Lena bateu.
“Desculpe, esqueci-me da mala…”
Não houve resposta. Ela empurrou a porta.
A camareira estava no quarto. Uma jovem fardada, com a mala aberta em cima da cama. Nas suas mãos estavam o batom e o cartão-chave de Lena.
A camareira virou-se bruscamente, com o rosto pálido.
“Eu… estava só a verificar se te tinhas esquecido de alguma coisa”, murmurou ela, fechando o fecho à pressa.
Mas Lena reparou — o mesmo envelope estava a aparecer no bolso interior.
“Também estava a ‘verificar’ isso?”, perguntou calmamente.
A empregada desviou o olhar.
“Desculpe. Eu não queria roubar. Eu só… queria ler.”
“Ler?”, perguntou Lena, surpreendida. “É uma carta. Da minha mãe.”
Silêncio. Então a empregada suspirou.
“Encontrei um envelope semelhante. Há um ano. Depois de a minha mãe morrer. A mesma caligrafia. A mesma assinatura. ‘Para a Lena. Não abras até perceberes.’ Pensei que fosse um engano. E depois vi o seu nome na folha de limpeza.
Lena não sabia o que dizer. Pegou no envelope, sentou-se na cama e abriu-o pela primeira vez em todos estes anos. No interior havia um bilhete curto:
“Vai conhecê-la. E depois tudo se vai encaixar.”
Ela olhou para a criada.
Ela segurava um envelope idêntico.

