— Preciso verificar mais uma coisa — disse a doutora Salinas.
Diego continuava olhando para a tela.
— O quê, agora?
— Em qual clínica você fez a vasectomia?
Ele informou o nome.
A médica consultou o prontuário.
— Você deveria ter feito um exame de controle depois do procedimento.
— Eu sei.
— Você fez?
Diego cerrou o maxilar.
— Não tive tempo.
Laura fechou os olhos.
Durante semanas, ele a havia humilhado.
Havia permitido que sua mãe a insultasse.
Tinha ido morar com Paola.
Tudo porque estava convencido de que uma vasectomia recente tornava imediatamente impossível qualquer gravidez.
Paola olhou para ele.
— Você me disse que o médico havia garantido que você não poderia mais ter filhos.
Diego respondeu rápido demais:
— Foi isso que eu entendi.
A doutora balançou a cabeça.
— Uma vasectomia não garante imediatamente a ausência de espermatozoides. É necessário fazer um exame de controle antes de considerar o método contraceptivo eficaz.
Laura soltou uma risada amarga.
— Então você destruiu nosso casamento sem sequer ter feito o exame que deveria confirmar o resultado da sua cirurgia?
Diego tentou recuperar o controle da situação.
— Isso ainda não prova que esse filho é meu.
Laura o encarou, cansada.
— Não. Mas sua vasectomia também não prova que ele não seja.
A médica confirmou que a idade gestacional era perfeitamente compatível com uma concepção ocorrida antes ou por volta da época da cirurgia.
A versão de Diego já não fazia sentido.
Mas Laura não precisava mais convencê-lo de nada.
— Quando o bebê nascer, faremos um teste de DNA.
Diego abriu a boca.
Ela levantou a mão.
— Não para salvar nosso casamento. Ele já acabou.
Foi então que Paola começou a fazer suas próprias perguntas.
Desde quando Diego realmente queria deixar Laura?
Por que ele havia começado a chegar tarde em casa antes mesmo da cirurgia?
Por que havia apresentado Paola como uma simples colega quando, claramente, os dois já eram muito mais próximos?
Diego se recusou a responder.
Por fim, a doutora pediu que saíssem para que ela pudesse terminar o exame com tranquilidade.
Alguns meses depois, Laura deu à luz um menino saudável.
Diego pediu imediatamente o teste de paternidade.
Laura aceitou.
Quando os resultados chegaram, ela foi à consulta acompanhada de sua advogada.
Diego abriu o envelope.
Então ficou imóvel.
Probabilidade de paternidade: superior a 99,9%.
Ele releu o resultado.
— Laura…
Ela guardou sua cópia.
— Não.
— Deixe-me explicar.
— Você teve semanas para me ouvir.
Paola já havia terminado o relacionamento com ele.
A mãe dele havia parado de aparecer na casa de Laura.
E os vizinhos que antes a condenavam agora estavam muito mais calados.
Diego quis transformar um procedimento médico em uma prova absoluta de traição.
Mas havia esquecido uma coisa fundamental:
ele nunca havia feito o exame que deveria confirmar sua infertilidade.
O teste de DNA finalmente comprovou que ele era, de fato, o pai.
Mas isso não poderia consertar o que Diego havia feito quando acreditava estar certo.
Porque a verdadeira causa do fim daquele casamento nunca havia sido aquela gravidez.
Foi a facilidade com que Diego escolheu humilhar a própria esposa antes mesmo de verificar a verdade.
