Marcus ficou diante de mim por alguns segundos.
Depois, virou-se para Danny.
— Eu te convidei porque queria te fazer uma pergunta.
Danny levantou-se devagar.
— Está bem.
Marcus respirou fundo.
— Quando a mamãe morreu… por que você me deixou?
A arena continuava barulhenta ao nosso redor.
Mas, na nossa fileira, tudo parecia ter ficado em silêncio.
Danny baixou os olhos.
— Eu estava destruído.
Marcus esperou.
— Eu não sabia como ser pai sem ela.
— Então você foi embora?
Danny assentiu.
— Sim.
Marcus apertou a mandíbula.
— E durante quatorze anos?
Desta vez, Danny não teve uma resposta imediata.
Então murmurou:
— Eu sentia vergonha.
Marcus olhou para o troféu que estava nas minhas mãos.
— Eu também tive medo muitas vezes.
Ele olhou para Danny.
— O papai também.
Então colocou uma mão sobre meu ombro.
— Mas ele ficou.
Danny fechou os olhos.
Eu conseguia ver que ele estava tentando não chorar.
Marcus continuou:
— Eu não te convidei para te castigar.
— Então por quê?
— Porque eu queria parar de inventar respostas no seu lugar.
Aquela frase me atingiu em cheio.
Durante anos, Marcus provavelmente havia imaginado todo tipo de motivo.
Talvez Danny não o amasse.
Talvez Marcus tivesse feito alguma coisa.
Talvez uma criança abandonada sempre procure uma maneira de tornar o abandono compreensível.
Danny assentiu lentamente.
— Eu sinto muito.
Marcus respondeu:
— Eu acredito que sente.
Mas não disse que o perdoava.
Ainda não.
E eu também me senti orgulhoso dele por isso.
Nas semanas seguintes, Danny continuou mantendo contato.
Marcus estabeleceu seus próprios limites.
Nada de assumir de repente um grande papel de pai.
Nada de tentar compensar quatorze anos com presentes.
Eles começaram tomando um café.
Depois, almoçaram juntos.
Tiveram algumas conversas difíceis.
Eu nem sempre me sentia confortável com aquilo.
Mas Marcus tinha razão.
Eu precisava confiar no homem que eu havia ajudado a criar.
Certa noite, vários meses depois, ele entrou na garagem enquanto eu trabalhava na minha caminhonete.
— Pai?
— Sim?
— Danny me perguntou se eu queria passar o Natal com ele e a família dele.
Minha chave parou na minha mão.
— E você quer ir?
— Por algumas horas.
Assenti.
— Então vá.
Ele ficou em silêncio.
— Isso não machuca você?
Sorri.
— É claro que machuca.
Ele pareceu surpreso.
— Mas não é sua responsabilidade proteger os meus sentimentos.
Marcus se aproximou.
Então me abraçou.
— Você sabe que é meu pai, não sabe?
Fechei os olhos.
— Sei.
— Ótimo.
Ele se afastou.
— Porque ele é o Danny.
Eu ri.
— Coitado do homem.
Marcus sorriu.
O troféu de MVP acabou ficando em uma prateleira da nossa sala.
Marcus fez questão.
Não no quarto dele.
Na nossa casa.
Anos mais tarde, quando alguém perguntava por quê, ele sempre respondia a mesma coisa:
— Porque o jogo era meu.
Então sorria.
— Mas tudo o que foi preciso para me levar até lá pertencia a nós dois.
