Corbin ergueu a pasta.
— Você realmente achou que ia embora levando isso?
Sloane desceu do veículo.
— Onde você encontrou?
— No seu quarto.
Aquela pasta continha os documentos de uma empresa criada antes mesmo de eles se conhecerem.
Uma empresa da qual Corbin jamais tinha ouvido falar.
Sloane não era apenas proprietária do apartamento.
Ela também possuía uma participação significativa no fundo familiar que havia financiado vários dos investimentos dos quais Corbin se gabava constantemente.
Ele acreditava que o casamento lhe daria acesso a tudo.
Estava enganado.
— Me dê a pasta.
Corbin sorriu.
— Talvez devêssemos conversar antes que você destrua o nosso futuro.
— Nosso futuro acabou quando você me bateu.
Dois carros chegaram atrás do veículo de Sloane.
Seu pai.
Sua advogada.
E dois agentes chamados depois do incidente no celeiro.
Corbin parou imediatamente de sorrir.
Loretta apareceu atrás dele.
— Vocês não podem tratar nossa família desse jeito!
A advogada abriu calmamente sua maleta.
— Seu filho acabou de agredir minha cliente na frente de dezenas de testemunhas.
Então olhou para Corbin.
— E esta pasta pertence a uma empresa da qual você não é administrador nem beneficiário.
Corbin tentou mais uma vez salvar sua imagem.
— Sloane, eu estava com raiva. Isso não significava nada.
Ela o encarou por um longo instante.
— Significava, sim. Significava tudo.
Os dias seguintes foram rápidos.
O casamento foi cancelado.
Os acessos financeiros de Corbin às contas mantidas pela família de Sloane foram retirados.
O apartamento continuou pertencendo a Sloane.
E várias despesas que Loretta acreditava que seriam cobertas para sempre foram imediatamente interrompidas.
Mas a maior surpresa dizia respeito à empresa secreta.
Corbin já havia tentado alterar alguns documentos antes do casamento.
Sem contar nada a Sloane.
Essa descoberta transformou uma separação humilhante em uma investigação financeira muito mais séria.
Algumas semanas depois, Sloane voltou sozinha ao apartamento em Manhattan.
O avental sujo ainda estava guardado em sua bolsa desde o celeiro.
Ela olhou para ele uma última vez.
Então o jogou fora.
Não porque tivesse vergonha de servir alguém.
Mas porque, a partir daquele momento, recusava-se a chamar de «tradição» aquilo que não passava de controle.
Corbin havia exigido que ela se ajoelhasse para provar que merecia se tornar sua esposa.
Na realidade, ele havia lhe dado algo muito mais valioso:
a prova de que ela jamais deveria se casar com ele.
