Minha madrasta quebrou a coleção de cerâmicas da falecida mãe – ela não fazia ideia do que a esperava a seguir

Meu nome é Bella, e neste mundo eu defendo com unhas e dentes exatamente duas coisas.
Uma é a minha sanidade.
A outra é a coleção de cerâmicas que minha mãe me deixou há cinco anos, quando morreu.

Minha mãe era ceramista. O ateliê dela ficava na garagem, com um forno pelo qual ela economizou por três anos. Cada peça carregava uma história.
O vaso verde-mar que ela fez no dia seguinte à primeira quimioterapia.
A caneca, cujo cabo tinha um pequeno coração – eu bebia dela toda manhã aos seis anos.
A tigela, que ainda tinha suas impressões digitais na argila.

Quando ela morreu, embalei tudo cuidadosamente em plástico bolha e papel de seda, depois coloquei numa vitrine alta de vidro na sala de estar. Não me mudei de volta para a casa do meu pai porque não podia viver sozinha. Mas porque o silêncio da casa podia consumir uma pessoa. Precisávamos um do outro.

Por um tempo funcionou.

Então meu pai conheceu Karen numa conferência de trabalho. Karen era exatamente o oposto da minha mãe. Unhas impecáveis, cabelo perfeito, roupas de grife. Dois anos após a morte da minha mãe, eles se casaram.

Tentei me adaptar. Mas em algumas semanas ficou claro: Karen e eu nunca seríamos amigas.

Karen odiava as cerâmicas da minha mãe.

– Tão bagunçado – comentou numa manhã. – Você deveria pensar em minimalismo. Linhas limpas são muito mais elegantes.
Olhei para a vitrine.
– Não é bagunçado. São memórias da minha mãe.

Ela forçou um sorriso.
– Claro, querida. Só que… são um pouco rústicas, não? Têm aquele clima de feira de pulgas.

– Minha mãe as fez.

– Eu sei – respondeu com paciência fingida. – Só digo, talvez você pudesse guardar algumas no depósito.

A cada poucos dias havia um comentário.
– Elas não combinam nem um pouco com a estética que quero.
– Não acha que é hora de deixar o passado para trás?

Uma tarde, quando meu pai estava trabalhando, Karen me encurralou na cozinha.

– Estive pensando – disse. – Você tem tantas dessas cerâmicas. Não se importaria se eu levasse algumas? Minhas amigas adoram coisas artesanais. Eu economizaria muito com presentes.

Achei que estava ouvindo errado.
– Como é? – Só algumas. Ninguém perceberia.

– São vinte e três peças. E não, você não vai ganhar nenhuma.

O rosto dela mudou num instante. A máscara de doçura rachou.
– Não seja egoísta, Bella. Só estão juntando poeira.

– São minhas únicas coisas que restaram da minha mãe.

Os olhos de Karen se estreitaram.
– Tá bom. Fica com suas pequenas peças de cerâmica. Mas se você não quiser compartilhar bonitamente… vai se arrepender.

Ela se virou. O salto batia no chão como tiros.
– Você vai ver – disse por cima do ombro.

Três semanas depois fui enviada a Chicago para uma conferência de três dias. Eu não queria ir, mas não tive escolha. Cheguei em casa no sábado à noite, quase 11 horas. A casa estava escura, só a luz da varanda acesa. Entrei silenciosamente, tirei os sapatos.

E então senti algo estranho.

O cheiro estava ausente.

Nossa casa sempre teve um cheiro característico: o café do meu pai, o sabonete de lavanda da minha mãe, o cheiro terroso da argila. Mas agora… a argila havia desaparecido.

Meu estômago se contraiu.

Fui em direção à sala. Ao virar a esquina, meu cérebro simplesmente se recusou a aceitar o que via.
A porta da vitrine estava aberta. As prateleiras vazias. O chão coberto de cacos. Pedaços quebrados de cerâmica em todas as cores que minha mãe já usou. Parecia que um confete horrível havia sido espalhado.

– Não… não… não… – caí de joelhos, a mão pairando no ar, com medo de tocar.

Então ouvi os saltos.

Clac. Clac. Clac.

Karen estava na porta, de pijama de seda. O cabelo perfeito. Maquiagem impecável, quase meia-noite. Olhou para mim, depois para os cacos, e sorriu.

– Oh! – tilintou. – Você chegou mais cedo.

– O que você fez, Karen?

Ela examinava as unhas, vermelhas vivas, recém-feitas.
– Eu disse que não gostei de como elas ficam. Tirei o pó, a prateleira estava instável… e tudo simplesmente… caiu.

Mentiu. Eu vi na boca dela, na satisfação que brilhava nos olhos.

– Totalmente acidental! – acrescentou com um largo sorriso.

Algo se quebrou dentro de mim.
– Você é um monstro.

O rosto dela endureceu imediatamente.
– Cuidado com o tom. Seu pai não vai gostar se você falar assim comigo. E sinceramente? Só eram pratos. Você está dramatizando demais.

– Só pratos? Minha mãe os fez com as mãos. As impressões digitais dela estavam neles!

Karen deu de ombros.
– Estavam. Esse é o ponto. – Ela se dirigiu à porta, mas se virou. – Ah, e é melhor você limpar antes que seu pai veja. Ele ficaria muito decepcionado com sua negligência.

Foi embora, cantarolando, me deixando com as peças da minha mãe.

Sentei no chão, chorando, com raiva e luto misturados, até não conseguir mais separá-los.

Mas por trás da dor, algo mais se formava. Algo frio. Puro. Afiado.

Porque Karen cometeu o único erro.
Ela achou que eu era idiota.

– Você não faz ideia do que fez – sussurrei para a sala vazia.

O que Karen não sabia:

Dois meses antes, eu já havia suspeitado. Quando ela circulava em torno da vitrine como um tubarão. Quando ela “tirava o pó” ao lado dela. Quando sempre mirava nas peças. Não sou paranoica – mas também não sou estúpida.

Então fiz duas coisas.

Primeiro, coloquei uma câmera escondida. Uma daquelas “câmeras de planta” que parecem uma suculenta inocente, mas grava tudo em HD. Coloquei na estante, no ângulo perfeito. Não contei a ninguém. Nem para meu pai. Nem para minha melhor amiga.

Segundo – e esta é a parte que ainda me faz sentir uma genialidade criminosa – substituí as cerâmicas.

Todas as peças na vitrine eram falsificações. Passei três finais de semana em feiras de pulgas e vendas de herança. Comprei peças baratas, com cores e formas aproximadas. Gastei talvez 50 dólares no total. Em casa, envelheci-as com pó de café e poeira, e depois as coloquei exatamente no mesmo lugar.

A coleção real estava no armário do meu quarto, trancada, no mesmo plástico bolha de cinco anos atrás.

Quando Karen quebrou tudo, na verdade destruiu cópias.

Mas ainda não contei isso.

Abri a gravação da câmera no meu celular. Estava lá. Com timestamp.

Karen entrou às sete da noite. Olhou ao redor. Abriu a vitrine. E começou a arrancar as peças das prateleiras. O vaso verde-mar foi jogado no chão com força total. Ela quebrou todas uma a uma. Depois pisou nos cacos com o salto.

Finalmente, virou-se para a câmera e disse claramente:
– Vamos ver quanto você ama sua mamãe agora, sua garotinha patética!

Assisti três vezes.
Então liguei para meu pai.

Quando ele desceu, Karen estava com ele. Congelaram ao ver a cena.

– O que aconteceu? – palideceu meu pai.

Karen imediatamente interrompeu.
– Horrível, Dave. Ouvi um estrondo, a vitrine estava instável…

– Isso não é verdade – disse, entregando o telefone ao meu pai.

Enquanto ele assistia, as mãos tremiam.

– Vá embora – disse suavemente.

– Como é? – Arrume suas coisas e saia. Agora.

Karen gritou. Tentou se explicar. Olhou para mim.
– Você armou tudo!

– Protegi o que é meu – respondi. – Você escolheu a crueldade.

Karen passou um mês colando os “pratos” quebrados. Suas unhas estragaram. Pilates cancelado. Spa também.

No fim, mostrei a ela os originais.

– Substituí há dois meses – disse. – Você destruiu algo que nunca teve valor.

Ela foi embora.

Meu pai me escolheu.
Agora as verdadeiras cerâmicas da minha mãe estão em uma nova vitrine trancada. Às vezes a luz do sol brilha nelas, e parece que ela sorri para mim.

E Karen está exatamente onde deveria estar.

Desapareceu.

Atyew