Estávamos no quarto do bebê com o Ethan, ao nosso redor paredes em tons pastel, pequenas roupas e brinquedos. Já conseguia ver diante de mim o nosso bebê, a dormir tranquilamente no berço.
– Nem acredito que realmente chegámos até aqui – disse entusiasmada. – Imagina as primeiras semanas… nós dois juntos, um ao lado do outro, ajudando-nos mutuamente.
Ethan sorriu, mas o sorriso não chegou aos olhos.
– Sim… será maravilhoso – respondeu, com uma voz um pouco vazia.
Franzi a testa.
– Está tudo bem? Já falaste com o teu chefe sobre a licença-paternidade?

Ele suspirou e ficou a olhar para a própria mão. – Sim. Não foi muito solidário.
– O que queres dizer com isso? – perguntei.
– Quer enviar-me para outra cidade para um projeto importante. Deu a entender que, se eu disser não, até o meu emprego pode ficar em risco.
Tive a sensação de que o ar foi sugado de dentro de mim.
– Podem despedir-te? Mas agora precisamos de todo o dinheiro…
– Eu sei – assentiu. – Não podemos permitir que eu perca o meu trabalho.
Respirei fundo.
– Então… o que vai acontecer? – Não vejo outra solução – encolheu os ombros. – Tenho de ir.
Tive vontade de chorar. Esperávamos tanto por este período, e agora tudo parecia desmoronar. Mas não podia mostrar o quanto doía.

– Talvez… – disse em voz baixa – possamos tirar o máximo proveito do tempo que nos couber.
Ethan apertou a minha mão.
– Vamos resolver, Sarah. Nós sempre resolvemos.
Sorri. Pelo menos tentei.
Por dentro, porém, havia uma enorme decepção em mim. Não foi assim que imaginei o início da nossa família. Planeei que viveríamos juntos cada primeiro momento.
Alguns dias depois estava a fazer compras no supermercado, mas os meus pensamentos estavam noutro lugar.
– Sarah? És tu? – ouvi uma voz familiar.
Era a Amanda, a esposa do chefe do Ethan. Conhecíamos-nos desde a universidade.

– Olá – cumprimentei.
– Como estás? E o bebê? – perguntou sorrindo.
– Estamos bem… embora eu esteja um pouco tensa – escapou-me. – A licença-paternidade do Ethan foi recusada.
O rosto da Amanda mudou.
– O quê? Isso é impossível.
– O Ethan disse que o chefe o envia para outra cidade e, se disser não, é despedido.
Amanda abanou a cabeça com firmeza.
– Isso não é verdade. Sei com certeza que a licença-paternidade dele foi aprovada. O meu marido até o elogiou por como será um bom pai.
Foi como se me tivessem batido na cabeça.
– Tens a certeza? – perguntei empalidecendo.
– Absoluta.

A caminho de casa mal me lembro do trajeto. Em casa, Ethan estava a tomar banho, o telemóvel dele estava na mesa. Não costumo fazer isso… mas agora fiz.
No grupo da família estava tudo.
A mãe do Ethan:
“Não precisas de tirar licença-paternidade. A mãe da Sarah pode ajudar. Precisamos muito de ti agora na renovação.”
O pai do Ethan:
“Sim, seria importante. Não estás longe, é possível resolver.”
E a resposta do Ethan:
“Entendo. Vou tirar a licença paga e passar aí para ajudar. A Sarah vai resolver com a mãe dela.”
Fiquei destroçada.

Tirei fotografias das mensagens, depois voltei a colocar o telemóvel no lugar. Não disse nada. No dia seguinte, enquanto Ethan trabalhava, fiz as malas.
À noite Ethan chegou a uma casa vazia.
– Fui despedido – disse em voz alta.
Sobre a mesa da cozinha esperava um envelope.
“Ethan,
Encontrei as mensagens. Mentiste-me sobre a licença-paternidade. Se consegues mentir nisso, como poderia confiar-te a nós?
Enviei as mensagens ao teu chefe. Por isso foste despedido.
Vou divorciar-me.
Sarah.”

Mais tarde estava sentada na casa dos meus pais, a acariciar a barriga.
– Tomaste a decisão certa – disse a mãe baixinho.
