Tom sempre ria quando as pessoas diziam que um animal de estimação pode mudar a sua vida. Para ele, o seu peixe dourado Bubbles não passava de um companheiro silencioso numa taça de vidro. Ele alimentava-o, às vezes batia no vidro e continuava o seu dia.
Então, uma noite, ele notou algo estranho.
As pedrinhas coloridas no fundo do aquário não estavam espalhadas aleatoriamente, como de costume. Elas formavam aglomerados, quase como pequenos padrões.
Tom se inclinou para mais perto. «Estranho», murmurou ele.
Na manhã seguinte, tudo estava diferente novamente. Desta vez, as pedrinhas pareciam estar dispostas em linhas curvas. Figuras.
Ele sorriu nervosamente. «O que estás a fazer aí, Bubbles? A jogar Tetris?»
Mas no terceiro dia, Tom quase deixou cair o café.
As pedras formavam uma palavra.
OLÁ.
Ele ficou a olhar para elas, com os olhos bem abertos. O peixe abanava a cauda, nadando preguiçosamente em círculos, como se nada tivesse acontecido.
«Tudo bem», disse Tom em voz alta. «Estou apenas cansado. É… coincidência.»
Mas na noite seguinte, quando voltou do trabalho, o seu estômago apertou-se de medo.
As pedras agora formavam o seu nome.
TOM.
O coração batia forte, ele pegou o telefone para tirar uma foto. Mas antes que ele conseguisse fazer isso, o peixe dourado passou pelo aquário, espalhando as letras.
Ele quase não dormiu, seus pensamentos corriam.
De manhã, ele se aproximou do aquário novamente. As pedras estavam reorganizadas. Desta vez, elas formavam a palavra:
PORTA.
Tom piscou, confuso. «Porta? Que porta?»
Como se fosse um sinal, alguém bateu à porta.
Ele congelou.
Olhou pela janela, mas não viu ninguém. Apenas um envelope na varanda.
Com as mãos trémulas, Tom pegou nele e abriu-o. Dentro havia uma folha de papel, em branco, exceto por uma palavra rabiscada com uma caligrafia desleixada:
OLÁ.
Ele virou-se lentamente para o aquário.
As bolhas flutuavam em círculos calmos, as pedras no fundo estavam completamente imóveis.

