Quando o pai de Emily faleceu, tudo o que ela guardou foi o relógio de bolso dele. Era velho, pesado, com a caixa de prata riscada por décadas de uso. O pai dela o carregava todos os dias da sua vida — e quando a enfermeira registou a hora da sua morte, Emily percebeu algo assustador.
O relógio tinha parado exatamente naquele minuto.
18h42
Ele nunca mais voltou a funcionar.
Durante anos, Emily guardou-o na gaveta da sua cabeceira. Ela não conseguia se desfazer dele, mas também não conseguia dar corda nele. Para ela, não era apenas um relógio quebrado — era uma lembrança do momento em que ela o perdeu.
O tempo passou. Emily casou-se, teve filhos, e o relógio ficou intocado, acumulando poeira.
Até uma noite tempestuosa, quase dez anos depois.
Emily estava a organizar caixas antigas quando abriu a gaveta. Os seus olhos arregalaram-se. Os ponteiros do relógio tinham-se movido. Lentamente, de forma constante — ele estava a funcionar.
Ela prendeu a respiração. Pegou nele, esperando que parasse na sua mão. Mas ele continuou a funcionar, o ponteiro dos segundos avançando com um ritmo perfeito.
O seu marido insistiu que devia haver uma explicação lógica. «Talvez uma mudança na temperatura», disse ele. «O metal contrai-se, as engrenagens mudam.»
Mas Emily não conseguia afastar a sensação de que era mais do que isso. Ela olhou para as horas no relógio: 6:42. O momento exato em que o seu pai tinha morrido.
E então avançou mais um minuto.
Pela primeira vez em uma década, o relógio estava vivo.
E Emily jurou — naquela sala silenciosa iluminada pela tempestade — que sentiu a presença do seu pai novamente.

