Sua filha havia desaparecido oito anos antes… então ela reconheceu seu pareô em uma desconhecida a 600 quilômetros dali

Claire seguiu o olhar da desconhecida.

Uma jovem acabava de sair do café.

Devia ter cerca de vinte e quatro anos.

Claire sentiu imediatamente as pernas fraquejarem.

Em volta do pescoço, ela usava um pequeno pingente de prata em forma de lua.

Claire havia dado exatamente um igual a Nora quando ela completou dezesseis anos.

— Quem é ela? — perguntou Claire.

A desconhecida apertou ainda mais o pulso dela.

— Não aqui.

A jovem então percebeu a presença das duas.

Diminuiu o passo.

Seus olhos se fixaram em Claire.

Depois, na fotografia exibida no telefone.

Seu rosto mudou.

— Onde você conseguiu essa foto?

Claire quase não conseguiu falar.

— É minha filha.

A jovem ficou pálida.

A desconhecida interveio:

— Léa, volte para dentro.

Mas a jovem não se mexeu.

— Por que ela se parece comigo?

Claire sentiu o ar lhe faltar.

Aproximou lentamente o telefone.

Nora, aos dezesseis anos, sorria na tela.

A jovem tocou instintivamente a própria face.

— Disseram-me que meus pais tinham morrido.

A desconhecida fechou os olhos.

A mentira acabava de desmoronar.

Ela se chamava Marianne.

Oito anos antes, trabalhava em um hotel perto da praia onde Nora havia desaparecido.

Naquele dia, encontrara uma adolescente desorientada perto de uma estrada secundária, depois de um acidente envolvendo uma caminhonete.

Nora sobrevivera, mas havia perdido parte das lembranças.

Depois, um homem apareceu dizendo ser seu tio.

Marianne acreditou nele.

Anos mais tarde, descobriu que ele havia mentido.

Mas, quando tentou intervir, Nora já vivia com uma nova identidade.

— Por que guardar o pareô dela? — perguntou Claire.

Marianne olhou para a peça de roupa.

— Porque era a única coisa que ela vestia quando a encontramos.

Claire voltou-se para a jovem.

— Nora…

Ela recuou ligeiramente.

— Meu nome é Léa.

Claire assentiu, com os olhos cheios de lágrimas.

— Então vou chamá-la de Léa até que você decida o contrário.

O silêncio se prolongou por muito tempo.

Então a jovem tornou a olhar para a fotografia antiga.

— Por que esse sol está costurado torto?

Claire sorriu apesar das lágrimas.

— Sua avó o consertou. Você disse a ela que preferia a roupa daquele jeito.

A jovem fechou os olhos.

Uma lágrima escorreu por seu rosto.

— Eu já sonhei com essa frase.

Não foi um reencontro perfeito.

Houve a polícia.

Exames.

Processos que precisaram ser reabertos.

E lembranças que não voltaram por completo.

Mas, algumas semanas depois, o teste genético confirmou aquilo que Claire já sabia.

Léa era Nora.

E o velho pareô turquesa, que todos consideravam apenas uma peça de roupa gasta, finalmente havia levado uma mãe de volta até sua filha.

Não por causa de sua cor.

Mas por causa de um pequeno sol amarelo costurado torto, que ninguém mais no mundo teria imaginado reconhecer.

Atyew