Camille se virou para a tela.
O vídeo vinha da câmera do corredor.
Nele, ela aparecia usando um cartão eletrônico para entrar no quarto de Hélène às duas e quatorze da madrugada. Carregava uma bolsa com uma máquina de cortar cabelo e, quarenta minutos depois, saía de lá com os cabelos prateados de Hélène guardados em um envelope plástico transparente.
—Esse vídeo não prova nada! —gritou ela.
Então Hélène colocou a gravação de áudio para tocar.
A voz de Camille ecoou pela sala:
“Assim que os 120 milhões forem transferidos, vamos conseguir que ela seja declarada incapaz. Depois disso, ninguém poderá nos impedir.”
Thomas recuou como se tivesse acabado de levar um golpe.
—Você me disse que minha mãe estava doente.
Camille se virou para ele.
—Eu estava fazendo isso por nós!
—Você a drogou?
O responsável pela segurança também havia localizado a garçonete que entregara a infusão. Camille pedira que ela acrescentasse comprimidos triturados à bebida, alegando que haviam sido prescritos por Hélène.
Naquele momento, os policiais entraram.
Camille tentou sair da sala, mas dois agentes a detiveram perto das portas. Uma de suas damas de honra começou imediatamente a chorar e confessou que havia ajudado a destruir o vestido.
Os convidados permaneceram em silêncio.
Hélène abriu a pasta vermelha.
—Aqui está o documento de transferência que eu deveria assinar hoje.
Ela rasgou apenas a cópia preparada para a cerimônia. O original já havia sido anulado por sua advogada.
Em seguida, revelou o conteúdo de suas duas ligações.
A primeira havia bloqueado a doação.
A segunda havia transferido os direitos de voto do grupo para uma fundação destinada a proteger idosos vítimas de abusos financeiros e médicos.
Thomas se aproximou do púlpito.
—Mãe, eu não sabia.
Hélène o encarou por um longo momento.
—Você não segurou a máquina. Mas quando vim até você ferida, preferiu acreditar na mentira dela em vez de acreditar no meu próprio rosto.
Ele abaixou a cabeça.
A cerimônia terminou sem brinde.
Nas semanas seguintes, a investigação revelou que Camille já havia procurado um médico conivente e preparado um pedido de tutela. Thomas havia assinado vários formulários sem lê-los, convencido de que se tratavam da administração futura da empresa.
Hélène não o deserdou completamente.
Colocou uma quantia modesta em um fundo ao qual ele só teria acesso depois de vários anos, sem lhe conceder qualquer poder de decisão sobre o grupo.
—Por que está me deixando alguma coisa? —perguntou ele.
—Porque ainda sou sua mãe. Mas ser sua mãe não significa mais financiar seus erros.
Camille teve de responder pela administração de substâncias, pela agressão e pela tentativa de fraude. Seu mundo perfeito desmoronou muito antes da primeira fotografia oficial.
Os cabelos de Hélène cresceram lentamente.
A confiança, porém, levou muito mais tempo.
Um ano depois, Thomas foi visitá-la sem advogado, sem pedir dinheiro e sem uma desculpa ensaiada. Eles conversaram durante duas horas.
Hélène não prometeu que tudo voltaria a ser como antes.
Apenas permitiu que ele voltasse na semana seguinte.
Ela havia construído uma fortuna de 120 milhões de euros.
Mas naquela manhã, diante de um espelho e de uma mensagem cruel, percebeu que seu bem mais precioso não era seu império.
Era o direito de nunca mais comprar o amor daqueles que aceitavam sacrificá-la.
