A mulher sentada ao lado de Camille chamava-se Agnès Morel.
Ela dirigia o grupo médico diante do qual Maxime deveria apresentar seu projeto às nove horas.
Havia vinte minutos que ela escutava suas reclamações, a chegada de Brigitte e aquela frase dita na frente de todos na sala:
— Você é a mãe, dê um jeito.
Agnès viu Maxime desaparecer atrás das portas automáticas.
— Ele me garantiu que seu projeto era baseado em valores familiares — disse ela. — Acho que acabei de descobrir o que esses valores realmente significam.
Camille mostrou a ela as imagens das câmeras de segurança.
Na tela, Maxime tentava abrir o cofre escondido sob o assoalho enquanto sua mãe vasculhava as gavetas.
— Que documento eles estão procurando? — perguntou Agnès.
— A escritura de propriedade da clínica que ele quer oferecer como garantia.
— Ele me garantiu que essa clínica pertencia a ele.
Camille balançou a cabeça.
O prédio havia pertencido ao pai dela. Depois de sua morte, ele a colocara à frente de uma estrutura familiar destinada a financiar tratamentos pediátricos. Maxime administrava parte das operações, mas não era proprietário nem do imóvel nem tinha o direito de hipotecá-lo.
Portanto, sua apresentação estava baseada em um bem que não lhe pertencia.
A pequena chave confirmou que Brigitte vinha planejando aquela invasão havia várias semanas.
A advogada de Camille avisou imediatamente a polícia. Quando os agentes chegaram à casa, Maxime e sua mãe ainda estavam trancados lá dentro.
Eles haviam encontrado o cofre.
Mas ele estava vazio.
O pai de Camille havia confiado os documentos originais ao seu cartório muito antes de morrer. Apenas uma cópia identificada havia sido deixada sob o assoalho, justamente para revelar qualquer tentativa de roubo.
No hospital, Léonie finalmente foi examinada. Os médicos conseguiram baixar sua febre e a mantiveram sob observação.
Maxime voltou algumas horas depois acompanhado por um policial.
— Camille, explique a eles que esta é a minha casa.
Ela olhou para o marido e depois para a filha, adormecida no pequeno leito hospitalar.
— Você não voltou para saber se Léonie estava melhor.
Ele ficou em silêncio.
Brigitte interveio:
— Meu filho trabalha para garantir o futuro desta família.
Agnès se aproximou.
— Seu filho acabou de oferecer ao meu grupo uma garantia que não lhe pertence.
Maxime a reconheceu e ficou lívido.
Sua apresentação foi cancelada. A empresa abriu uma investigação interna e descobriu vários documentos contendo uma imitação da assinatura de Camille.
Brigitte alegou que só queria ajudar o filho.
— Roubando a chave da minha casa? — perguntou Camille. — Vasculhando debaixo do berço da minha filha enquanto ela estava no pronto-socorro?
Pela primeira vez, sua sogra não encontrou nada para responder.
As semanas seguintes foram difíceis. Camille não tomou nenhuma decisão movida pela raiva. Protegeu as contas, trocou os acessos da casa e pediu a separação.
Maxime tentou minimizar o que havia acontecido.
— Eu estava sob pressão.
— Eu também — respondeu ela. — Mas não abandonei nossa filha para roubar documentos.
Léonie se recuperou completamente.
Quanto à pequena chave, Camille a guardou em um envelope junto com o relatório policial. Não como uma lembrança de Brigitte, mas como um lembrete do momento em que deixou de tentar justificar o injustificável.
Naquela noite, Maxime acreditava que a verdadeira emergência era sua apresentação na manhã seguinte.
Ele estava certo.
Mas não seria sua falta de sono que acabaria com tudo.
Seria o instante exato em que todos viram que tipo de homem ele escolhia ser quando sua família precisava dele.
