Ela ouviu música de piano na casa vazia ao lado — o que encontrou lá dentro deu-lhe arrepios

Quando a casa ao lado foi colocada à venda, não demorou muito para que a placa «Vende-se» fosse retirada. Mas semanas se passaram e nenhum camião de mudança chegou. O local permaneceu escuro, com as janelas fechadas e o jardim coberto de mato.

Para Sarah, parecia abandonado.

Até uma noite.

Ela estava a lavar a louça quando parou. Fracas, mas claras, flutuando no ar noturno, estavam as notas de um piano.

Notas lentas e assombrosas. Vindas da casa vazia ao lado.

O seu primeiro pensamento foi que alguém tinha invadido a casa. Mas a música não era um barulho aleatório — era deliberada. A melodia era bonita, mas triste, o tipo de música que ficava presa no peito.

A curiosidade falou mais alto. Sarah vestiu um casaco e atravessou o relvado. Quanto mais se aproximava, mais alta ficava a música. A porta da frente estava trancada, as janelas escuras. Mas, lá dentro, o piano continuava a tocar.

O seu coração batia forte enquanto ela contornava a casa e encontrava uma porta lateral ligeiramente entreaberta. Ela empurrou a porta, e as dobradiças rangeram.

A música parou.

Ela prendeu a respiração.

Lá dentro, o ar cheirava a pó e madeira. Um único cômodo era vagamente iluminado pelo brilho da luz da rua através das persianas quebradas. E no canto havia um piano vertical, com as teclas amareladas pelo tempo.

Não havia ninguém lá.

Sarah sentiu um arrepio na pele. Ela se aproximou, seus olhos percorrendo o cômodo vazio. Então ela viu — um caderno aberto no suporte do piano. Páginas cheias de partituras manuscritas. E na primeira página, rabiscado em letras cursivas, estava o nome da sua avó.

A sua avó tinha falecido há anos.

Sarah recuou, com o coração acelerado. Ela lembrou-se das histórias de como a sua avó tocava piano neste mesmo bairro quando era jovem. Mas ela nunca tinha conhecido esta casa, nunca soube que a música tinha sobrevivido.

Uma brisa suave vinda da porta aberta agitou as páginas do caderno. Por um breve segundo, um acorde ressoou fracamente, como se o piano tivesse tocado sozinho.

Sarah saiu rapidamente, agarrando-se à memória. Ela nunca mais ouviu a música.

Mas, às vezes, à noite, quando o vento estava na direção certa, ela jurava ouvir o eco mais fraco daquela melodia flutuando pela janela.

Atyew